quinta-feira, 20 de maio de 2010

STO. AGOSTINHO.


Conceitos/ Filosofia Cristã e síntese entre alguns conceitos da filosofia de STO. Agostinho.
Ao analisar os conceitos propostos, pretendemos elaborar uma interpretação que dê conta de inferir ao máximo a síntese e reinterpretarão do pensamento grego pelo pensamento cristão.
Alguns conceitos, assim como alguns pontos, mantidos e reorganizados, cujo pensador fundamental, autenticamente como filósofo e protagonista desta operação, temos, Santo Agostinho.
Conceito de monoteísmo.
O conceito de monoteísmo remonta o culto a um só Deus. Interessante é o fato de que os gregos concebiam o uno (ontologicamente o ser). Mas o pensamento Cristão irrompe um deslocamento na cosmovisão ocidental. O que para os gregos, o uno, consistia na substância, essência que contemplava o múltiplo em sua constituição. A partir da mensagem Bíblica desloca-se a concepção do bem como fundamento contemplativo do conhecimento, passa-se a atribuir todas as coisas, inclusive o conhecimento, a um Deus (único Deus). Em oposição ao politeísmo reinante na era pagã.
Criacionismo.
Tal conceito remonta a “origem”, no pensamento grego à busca pela origem primeiramente é atribuída ao cosmos. A partir de Parmênides, somos remetidos à busca por um ser primeiro, imutável, causa necessária de toda origem e existência. Antes da mensagem Bíblica, a origem pressupunha uma causa. Com o advento do Cristianismo, a origem se dá na criação a partir do nada. Deus cria o homem a sua imagem e semelhança do nada. “Com essa concepção de criação a partir do nada, era cortada pela base a maior parte das apórias que desde Parmênides, havia infligido à ontologia grega”.
Eros grego, amor (ágape) cristão.
O amor cristão emana de Deus, como dom gratuito e infinito. Enquanto o amor grego (Eros) – Flerta com o conhecimento, numa interpretação Socrático-platônica. “Mas Eros não é Deus, porque é desejo de perfeição, tensão mediadora que torna possível a elevação do sensível ao supra-sensível, força que tende a conquistar a dimensão do divino. Enquanto o amor grego é a conquista por um esforço de razão. O amor cristão é um dom gratuito. Há um deslocamento importantíssimo, ágape – dom gratuito, a descida do homem em busca do encontro com Deus, algo casual. Enquanto o Eros grego demanda um esforço do intelecto para chegar à contemplação. (O bem). A característica popular do amor cristão (ágape), pela sua gratuidade, exige consigo a graça e a caridade, gerando uma revolução de valores que prima pelo cuidado e o amor ao próximo.
Gnose
Entende-se por gnose, literalmente, conhecimento. Na concepção cristã, o conhecimento revelado diretamente por Deus. “A Gnose indica uma nova maneira de conhecer Deus, um conhecimento não mais fundado na razão, mas sim, uma espécie de iluminação direta. Apesar de ser vertente de outras doutrinas, a gnose tem por objetivo último, o conhecimento de Deus. Em seu cume, a gnose partia para um conhecimento refletido de Deus que resvala na condição humana. Justifica-se o fato de que algumas doutrinas heréticas foram matérias prima para elaboração da gnose no pensamento cristão, sobretudo a angústia, e o sofrimento, a falta, temas relevante a uma vida dedicada a busca do conhecimento de Deus e, também, do auto-conhecimento.
O Filosofar na fé. (Santo Agostinho).
Santo Agostinho assimila fé e razão como constituintes de um mesmo propósito, um propósito, aliás, que consiste a filosofia, embasar racionalmente a sustentação da autoridade divina (Deus). Nessa perspectiva é preciso mudar a forma de pensar para mudar a forma de viver. Por isso, para Agostinho, o ser humano precisa filosofar na fé. Fé e razão não se contradizem, mas são complementares.
Todos sabem que nos somos estimulados para o conhecimento pelo duplo peso da autoridade e da razão. Assim, eu considero como definitivamente certo de que não devo me afastar da autoridade de cristo, por que não encontro outra mais válida. De resto, no que se refere aquilo que se deve alcançar com o pensamento filosófico, tenho a confiança de encontrar nos platônicos temas que não repugnem a palavra sagrada. Desejo aprender sem demora as razões do verdadeiro, não só com a fé, mas também com a inteligência.
No texto acima, fica clara a importância da filosofia na compreensão e esclarecimento de Deus e da vida, em Santo Agostinho.
A descoberta da “pessoa”.
A metafísica da interioridade.
Santo Agostinho arrola a descoberta do Homem na relação interior com o sagrado, desde os gregos, principalmente Platão, a matéria é uma prisão. A diferença é que em Agostinho o homem se liberta da prisão pela interioridade na busca de uma relação direta com Deus, enquanto, para Platão, se chegava ao bem, ao supra-sensível através das idéias, através do fora, uma busca incorpórea. O conceito de alma lhe é caro, e o corpo como abrigo da alma tem um valor e é a partir dessa valorização do corpo como interioridade a ser buscada numa relação dialética na qual se dá à metafísica da interioridade.
Verdade e iluminação
Com relação à verdade e a iluminação é importante destacar os conceitos de interioridade e criacionismo, já destacados acima. Agostinho trabalha a questão do conhecimento através da interioridade e a capacidade de inferência produzida pelo intelecto. “Assim, o intelecto humano encontra a verdade como objeto superior a ele, com ela julga, mas por ela é julgado”.
Essa verdade que o intelecto alcança são as idéias. Nesse aspecto Agostinho se apropria do pensamento platônico, porém, vai utilizá-lo num nível hierárquico inferior. Agostinho não poderia afirmar que idéias imutáveis precedessem todo conhecimento, pois além de repetir Platão, negaria o Deus criador. “Sobre o primeiro ponto, devemos destacar que Agostinho transforma a doutrina da reminiscência na célebre doutrina da Iluminação. E essa transformação se impunha no contexto geral do criacionismo.” O intelecto alcança a verdade por ter acesso as idéias, que por sua vez são iluminadas pelo criador no processo de conhecimento cuja verdade é iluminada pela própria verdade (O criador).
Deus
No processo de interiorização, fixação do externo e conceituação pela interioridade do espírito, após a verdade do espírito, responsável pelo conhecimento verdadeiro, conhecimento de Deus. Por isso, e somente por isso, em Agostinho, a racionalidade ou filosofar na fé permite uma síntese entre fé e razão. Portanto Deus é criador. Razão e verdade, em Agostinho. (Trindade).
Trindade
Para Agostinho a unidade das três pessoas é perfeita: não se podem separar, nem uma se subordina à outra, mas a natureza divina seria anterior ao aparecimento das três pessoas; estas se apresentam como os três modos de se revelar o mistério de Deus. A alma, para santo Agostinho, se confunde com o pensamento, e sua expressão, sua manifestação é o conhecimento. Assim, o homem recompõe nele próprio o mistério da Trindade e se vê feito à imagem e semelhança de Deus: se ele ama e se conhece dessa maneira, ele conhece e ama a Deus.

 (P.379 (REALE Giovanni/ ANTISERI Dario). P.389 (REALE Giovanni/ ANTISERI Dario). P.406 (REALE Giovanni/ ANTISERI Dario).
 P.436 (REALE Giovanni/ ANTISERI Dario). P.442 (REALE Giovanni/ ANTISERI Dario). P.442 (REALE Giovanni/ ANTISERI Dario).

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